Minha mãe quer me obrigar a usar um desses na escola e na rua, e eu não quero.
Já me tratam mal só de ter tiques, imagina com o cordão de autismo?
Depende muito do contexto e ambiente, mas se você convive em espaços onde já sofre capacitismo, capaz de piorar mesmo. Se seus pais insistem que você use o cordão, é uma pena, mas você vai ter que seguir sua consciência mesmo que signifique desobedecer eles. O cordão é algo que você tem que decidir usar, e inclusive dependendo do contexto, decidir tirar também. Da mesma forma que não se tira alguém do armário à força, expor alguém contra a própria vontade assim é apenas outra forma de capacitismo mais passivo.
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Não sei até que ponto sou autista; por enquanto, não fui diagnosticado como tal. Mas partilho de características comuns ao espectro: hipersensibilidade, hiper-sistematização (se pegar meu histórico aqui no Fediverso, verá como trato tudo como um “sistema a ser destrinchado” e como amo misturar áreas do conhecimento), dentre outros.
O que tive de diagnóstico foi TDAH e, recentemente, Personalidade Esquizotípica (porém, esse tem mais a ver com a psiquiatra botando minha prática ocultista no balaio de “crença atípica” num país onde cristianismo é o “normal”).
Suspeito daí, que eu seria um AuDHD (TDAH + autismo), isso se eu não tiver Síndrome de Geschwind (dada minha hiperreligiosidade e hipergrafia). O fato de estar esperando um encaminhamento ao psiquiatra há mais de um ano enquanto o CAPS não lida com meu linguajar metafísico mesmo diante de ideações suicidas, não ajuda no diagnóstico (mas duvido que um diagnóstico me ajudaria na prática). O que sei é que sou uma pessoa neurodivergente, mas qual tipo, exatamente, não sei.
Feito esse contexto, diria, com base no que eu percebo sendo também neurodivergente, é que esse mundo é hostil a nós. Sons altos sancionados por prefeitura e garantidos pela Polícia (Carnaval, para muitos, “alegria”; para nós, tortura sonora; mas os neurotípicos não estão nem aí com isso!), ambientes (online e offline) cheios de estímulos visuais (propagandas) e, principalmente, um “contrato social” onde linguagem não-verbal instintiva é parte sine qua non da interação humana (pra eles, contato visual e aperto de mãos é “confiança” e parte do requerimento; para nós, contato visual é algo que sentimos no âmago da alma que seja evitado pois os olhos são a janela da alma invadida sem consentimento quando há esse contato visual, e aperto de mãos é igualmente desconfortável se não algo totalmente sem sentido).
Por um lado, aquele cordão tenta dialogar com a linguagem não-verbal dos neurotípicos. O girassol traz uma simbologia interessante: é uma flor que constantemente tenta mirar pra luz, em meio a flores que não têm a mesma habilidade de rastreio solar.
Obviamente, o cordão é para quem sabe seu significado. Em um mundo onde as pessoas mal desconfiam que estão cercadas de símbolos (“Sinais e símbolos governam o mundo, não palavras ou leis”), a tendência é que vão ver o cordão e vão pensar “ah, elx participou de algum evento e esse cordão é pra entrada no evento” ou “elx trabalha em escritório de alguma empresa cuja marca é um girassol”. Duvido que a maioria do povo brasilero neurotípico saiba o que significa o cordão de girassol. Já ouvi casos onde nem mesmo recepcionistas em pronto-socorro respeitaram o cordão da pessoa autista e trataram-na como tratam neurotípicos.
Nesse sentido, onde a maioria não sabe o que o cordão significa, diria que não muda muita coisa. Arrisca-se de, aqueles que sabem, lhe tratarem bem ou lhe tratarem mal. No final, o uso do cordão vira loteria.
Olha, tudo depende, quantos anos você tem, de onde veio essa recomendação do cordão, etc. Você tem laudo? Faz acompanhamento médico? As vezes é importante usar o cordão para garantir que seus direitos sejam observados em alguns locais. Por mais que tenha o lado negativo, as vezes as pessoas iriam te tratar mal de qualquer maneira, mesmo sem cordão, afinal de contas é isso né, infelizmente quase ninguém gosta de pessoas neurodivergentes em público e estão acostumados a maltratar. Talvez o cordão exista para embasar alguma garantia legal, por exemplo, se você tiver problemas sérios agentes do governo ou forças de segurança… Mas tudo depende, cada casa é um caso…
provavelmente vai te expor bastante
Passariam a te olhar com cara de pena, além de te tratar mal
É exatamente o que eu falo com ela. Eu acho que vou esconder esse chaveiro na escola.
Sinceramente eu nem sabia da existência deles, e é possível que muitas pessoas não associem um significado ao cordão também. Mas o mais importante é a sua opinião sobre o uso dele, porque o consentimento vem em primeiro lugar.
Não com os meus pais, eu já falei mil vezes que eu não quero e minha mãe ainda insiste.
Qual o intuito de usar esse cordão ? Tipo, o seu autismo é tão grave assim que é necessário avisar a todos sem dizer nada ? Na minha opinião (ninguém pediu), acho uma etiquetagem chata. Conheci alguns autistas e ninguém precisou de etiqueta para (pelo menus eu) saber que era autista. Acredito que basta as pessoas terem respeito com você e que você tenha respeito com elas.
Não sei, pergunta pra minha mãe. Meu autismo é grau um, também não é pra tanto, não sei o porquê dela ter cismado com isso.
É um sinalizador de deficiência oculta como qualquer outro: serve tanto para facilitar tratamentos diferenciados em determinados serviços com menos constrangimento (ex.: cadeira amarela no ônibus), quanto para sinalizar a deficiência caso ela se torne relevante.
Conheci alguns autistas e ninguém precisou de etiqueta para (pelo menus eu) saber que era autista.
Parabéns, mas não é sobre você.
Na minha opinião (ninguém pediu)
Realmente.








