Não que os meus desenhos físicos sejam bons, mas…

  • Dæmon S.@catodon.rocks
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    10 days ago

    Pegando um gancho nesse seu post pra também responder à sua resposta lá no outro tópico, seus desenhos são ruins, não, muito pelo contrário: ambas as versões ficaram legais, cada qual com os seus aspectos inerentes aos respectivos meios nos quais foram elaborados.

    O desenho digital, por exemplo, faz uso de um Bézier (me corrija se eu estiver errado, mas parece que você não está usando vetores num Inkscape ou similares, e sim usando o “Estabilizar pincel” que geralmente há nos apps de desenho digital) que geralmente não está disponível quando faz-se o desenho num papel físico, então os contornos acabam tendo maior precisão matemática.

    Já o desenho no papel tem acesso fácil à pressão e angulação que você está mecanicamente exercendo sobre o lápis, algo que, no digital, necessitar-se-ia um tablet de desenho (Wacom e similares) e uma suíte de aplicativos que opere nativamente com tal inferface. No desenho você também tem a maturação natural do pigmento conforme este agrega ao papel e é exposto ao ar atmosférico; no digital, os pixels não oxidam, então o desenho físico acaba por parecer, aos olhos, bem mais natural, mas é mera percepção biológica nossa que está atrelada às diferenças entre luz absorvida por pigmentos (CMYK, subtrativa) e luz emitida por pixels (RGB, aditiva).

    Qual software/app você tem utilizado pra desenhar digitalmente?

    !arte@lemmy.eco.br

    • MeowerMisfit817@lemmy.worldOP
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      10 days ago

      Qual software/app você tem utilizado pra desenhar digitalmente?

      Ibis Paint. É simples, mas eu quase nunca desenho digitalmente.

      mas parece que você não está usando vetores num Inkscape ou similares

      Eu só dei MUITO zoom e torci pra minha mão parar de tremer

      seus desenhos são ruins, não, muito pelo contrário

      Tenho que discordar. Não é o suficiente pra uma comissão. Uma vez, um professor de desenho me disse que “se você não pagaria pelo seu desenho, ele não tá bom”. E sinceramente, eu duvido que até mesmo você pagaria uma comissão con desenhos desse.

      • Dæmon S.@catodon.rocks
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        8 days ago

        Ibis Paint

        Ah, conheço. Quero dizer, não cheguei a usar, até pensei em adquirir, mas como já tenho o Sketchbook, acabei não testando esse outro.

        Eu só dei MUITO zoom e torci pra minha mão parar de tremer

        Eu digo que é um feito e tanto que agrega valor aos desenhos, porque mesmo com zoom e coordenação motora, fazer uma curva de Bézier ou spline na mão, sem a assistência matemática da suíte gráfica, tende a resultar em imperfeições que eu sinceramente não vejo na versão digital do desenho que você fez.

        Não é o suficiente pra uma comissão. Uma vez, um professor de desenho me disse que “se você não pagaria pelo seu desenho, ele não tá bom”.

        Como @YaxPasaj@lemmy.eco.br bem disse e complemento, seu professor tá é com papo estranho, me soa até um professor ancap papagaiando mantras do tipo “oferta e demanda”, “não existe almoço grátis” e outras palavras da religião capitalismo e do senhor e salvador “livre mercado”.

        Ao meu ver, se você não pagaria pelo seu próprio desenho, significa meramente que seu desenho não está atendendo as exigências do capitalismo (que, vale ressaltar, não se importa com a criatividade humana e sim com a lucratividade de empresários e acionistas), não que ele “não está bom”. O valor comercial não é o único tipo de valor que algo ou uma ação possa ter: valor sentimental, valor social, valor espiritual, valor intelectual, são todos valores igualmente válidos, ainda que possam vir divorciados de um valor em reais/dólares/euros/satoshis/whatever.

        Desenvolvi uma carreira de 10 anos de programação após dar ouvidos ao capitalismo e tornar uma paixão de infância (programar) em “sustento”, pra ter um emprego, e hoje estou sem emprego e sem a mesma paixão que eu tinha por programar, diante de um mercado de T.I. totalmente emerdificado e esperança (e vontade) zero de voltar ao tal do “mercado de trabalho” com o ChatGPT chefiando o RH das empresas (parafraseando Gilberto Gil, “o cérebro eletrônico comanda, manda e desmanda, mas ele não manda”), sendo que eu provavelmente acabaria virando nanny de IA pra que, na cabeça do empregador, estes se tornem simulacros perfeitos para me substituírem, caso um “milagre” ocorresse e eu chegasse a voltar a atuar como DevOps pleno/sênior.

        Portanto, cuidado com a transformação de um hobby em mera servidão ao capital. A vida já não tem sentido algum, essa existẽncia é mero resultado de um acidente cósmico e de um conflito atemporal anterior e alheio à nossa própria existência, e quando a gente finalmente encontra algum propósito pra tentar fazer sentido das coisas, é difícil recuperar esse propósito quando o capitalismo tira isso da gente; o propósito dos arcontes capitalistas é sobreporem-se aos propósitos que por ventura encontramos para nossa própria existência. Não estou dizendo que você não possa fazer dinheiro com a criação artística, pelo contrário, pessoas podem sim ver sua arte, seu estilo, a essência que só você é capaz de imbuir em sua própria arte, e sentirem que essa sua arte tem um propósito pra elas tamanho que sentem de ainda que isso envolva arcar com uma transação financeira, mas é importante não deixar que o capital se sobreponha à sua criação artística.

        !arte@lemmy.eco.br

        • MeowerMisfit817@lemmy.worldOP
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          8 days ago

          mas como já tenho o Sketchbook

          Pior que eu não gostei do Sketchbook. Eu diria que o IbisPaint é mais popular porque é mais fácil de usar e as opções de ferramenta mais fáceis de achar.

          Eu digo que é um feito e tanto que agrega valor aos desenhos

          Se você der zoom, dá pra ver uns errinhos ou umas lombadas:

          Ao meu ver, se você não pagaria pelo seu próprio desenho, significa meramente que seu desenho não está atendendo as exigências do capitalismo

          Mas você pagaria por um desenho desse?

          • Dæmon S.@catodon.rocks
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            7 days ago

            Eu diria que o IbisPaint é mais popular porque é mais fácil de usar e as opções de ferramenta mais fáceis de achar.

            Ah sim, interessante isso. O Sketchbook realmente tem uma interface que não é tão enxuta, principalmente em smartphone que tem tela menor que tablet, e umas opções meio confusas nas configurações. Uma hora vou ver se testo esse Ibis Paint, apesar que ultimamente eu meio que pivotei pra arte cênica 3D no Blender porque consigo ter múltiplas perspectivas da mesma cena, mas vai que eu volto a desenhar.

            dá pra ver uns errinhos ou umas lombadas

            Tem, mas, tipo, são bem imperceptíveis. A maior parte do contorno tá bem legal.

            Mas você pagaria por um desenho desse?

            Ah, se eu tivesse grana e fosse uma grana tranquila (como, mas não limitado a, aquela que eu tinha quando no meu último emprego como DevOps) ao ponto de eu poder pagar por expressões artísticas sem pesar muito no fim do mês, creio que sim, por quê não?

            Porém eu geralmente acho mais interessante o modelo de doação focado não numa arte específica mas na pessoa artista, tipo Ko-fi e “Buy me a coffee”, sem essa dinâmica de “oferta e demanda” que parece estar envolvida em comissão artística (ao menos, pelo que eu entendi desse lance de comissão, uma pessoa artista é contratada por uma pessoa ou empresa para fazer uma arte customizada/específica à mando desta, me corrija se eu estiver errado; fica parecendo que eu tô querendo mandar/controlar/escravizar a pessoa artista e eu não gosto dessa “dinâmica de poder” que o capitalismo normaliza), porque eu estou apoiando alguém ou um grupo/comunidade/organização/instituição por aquilo que estão fazendo, não por alguma “demanda” minha.

            O modelo de doação é um modelo econônico que a sociedade geralmente subestima porque deu ouvidos ao modelo do capitalismo onde “um manda e o outro obedece”, mas doação é ao meu ver um modelo bacana, onde ninguém precisa mandar e ninguém precisa obedecer. Ao meu ver seria modelo ideal se aplicado em larga escala como modelo de sociedade.

            Eu mesmo já fiz várias doações na época que eu ainda tava como DevOps; também pagava, por exemplo, quando ainda usava Youtube, por assinatura mensal de “membro” em um canal de criadores de conteúdo independentes no Youtube também (uma comunidade/seita ocultista que eu participava à época). Hoje, que nem eu falei ali, só parei porque tô sem grana, senão eu provavelmente estaria fazendo doações aqui e acolá, incluindo (e especialmente) causas sociais, projetos FLOSS/FOSS, bem como pra artistas independentes que fazem arte esotérica (que tem sido meu assunto de interesse no últimos três anos).

            Às vezes até penso em fazer um Ko-Fi ou similar paralelo às artes 3D que eu tenho feito e ver no que dá, porque não penso muito em voltar ao “mercado de trabalho” mas também não penso em fazer (ao menos o que entendo de) comissão artística com o tipo específico de arte que crio (uma exploração capitalista das minhas próprias artes iria até na contramão dos valores imbuídos nos arquétipos e egrégora das divindades e entidades espirituais ali representadas).

            !arte@lemmy.eco.br

            • MeowerMisfit817@lemmy.worldOP
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              7 days ago

              Sobre as doações, acaba que as doações geralmente são motivadas por, tipo, um artista fazer algo legal, um quadrinho, uns desenhos maneiros…

      • YaxPasaj@lemmy.eco.br
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        10 days ago

        Tenho que discordar. Não é o suficiente pra uma comissão. Uma vez, um professor de desenho me disse que “se você não pagaria pelo seu desenho, ele não tá bom”. E sinceramente, eu duvido que até mesmo você pagaria uma comissão con desenhos desse.

        Estou pegando carona na discussão para dizer que o seu professor tem uma visão bem negativa sobre as artes. Quer dizer que a arte só presta se for um sucesso comercial?

        • MeowerMisfit817@lemmy.worldOP
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          10 days ago

          Acho que o que ele quis dizer foi que se você pagaria por aquilo, aquilo tem uma qualidade boa, não que só presta pra comissão.

          • YaxPasaj@lemmy.eco.br
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            9 days ago

            Eu entendi que essa provavelmente foi a intenção, mas ao colocar o critério em termos financeiros, parece que ele plantou uma semente para azedar o seu relacionamento com a própria arte.

            Pessoalmente, acho que gostar do desenho deveria ser o suficiente, curtir o processo sem pensar se você ou outra pessoa pagaria por ele.

            Até mesmo porque qualidade e sucesso comercial geralmente não andam de mãos dadas. Tem muito artista que os fãs consideram uma imensa injustiça que não são muito populares ou ganharam quase nada com artes, e grandes sucessos comerciais que são muito detestados. Por um breve período de tempo o “Bored Ape Yatch Club” praticamente estava imprimindo dinheiro, eu acho um lixo genérico. O Thomas Kinkade, que foi um pintor de imenso sucesso comercial é detestado por muitos pintores.

            • MeowerMisfit817@lemmy.worldOP
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              8 days ago

              Pessoalmente, acho que gostar do desenho deveria ser o suficiente

              Nem eu gosto deles kkkkk

              O Thomas Kinkade, que foi um pintor de imenso sucesso comercial é detestado por muitos pintores.

              Calma meu Deus eu tô por fora, o que que o Thomas fez de errado?

      • Dæmon S.@catodon.rocks
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        8 days ago

        Hahaha, valeu!

        O problema de falar do jeito que falo e, principalmente, escrever do jeito que escrevo, é que é complicado conseguir interagir no Fediverso, especialmente na parte anglófona, diante de um momento atual de mundo pós-ChatGPT, sem acabar parecendo ou soando como IA ou, diante da minha relativa dificuldade/demora em pegar “social tells” mas relativa facilidade em expressar e conectar ideias aleatórias (suspeito que tenho AuDHD, embora nunca fui diagnosticado como tal), acabar tecendo um texto demasiadamente denso que torna difícil a compreensão.

        As pessoas podem acabar achando (ao menos um lado de mim me julga assim, o meu superego freudiano) que estou querendo “me aparecer” ou querendo “soar superior”, mas não é isso, não sou melhor que ninguém, é literalmente a forma caótica como meu cérebro teima em verbalizar ao mesmo tempo em que tenta se auto-policiar (igual àquele meme do Spiderman apontando pra uma cópia de si mesmo) e evitar uso exagerado de linguagem muito formal e/ou jargão técnico de nerd em contextos como o que estamos.

        E nessa guerra mental interna minha, me vejo reescrevendo o texto e podendo levar horas ou literais dias pra conseguir chegar à forma definitiva de um único texto/mensagem/resposta (como meta-referência, algo que ocorreu enquanto escrevi essa resposta e demais respostas nesse fio), enquanto minha expressão quase sempre vira, no final das contas, essa sopa de internetês, legalês, tecniquês e mistiquês.

        !arte@lemmy.eco.br