Pesquisador, cineasta e diretor no Surto Coletivo Filmes. Uso e promovo o software livre como solução para a democratização da arte. Minha pesquisa atual investiga as tensões entre criatividade e controle na era digital, defendendo que o letramento em infraestrutura (servidores, redes, código) é fundamental para a cidadania no século XXI.

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  • Que bacana! Muito obrigado pelo comentário. Suas observações são muito interessantes. Talvez, tenhamos apenas feito uma leitura a partir de perspectivas peculiares.

    Sobre a Economia da Atenção e Cripto, você tocou num ponto muito importante. A ascensão do ecossistema cripto e figuras como o Musk no X ilustram perfeitamente o “topo” dessa “má-fé” institucionalizada. É a financeirização da promessa e do engajamento. Vende-se essa caricatura do sucesso enquanto o modelo de negócios real, muitas vezes, opera na lógica de pirâmide.

    Sobre a Sociedade da Transparência e a Vigilância, a sua leitura sobre a eliminação das “zonas cinzas” e a morte do espaço privado é muito boa. O mercado de fato exige certeza absoluta,e a extinção do espaço para o erro.

    Talvez aqui seja o ponto onde nossas visões se complementam, e talvez seja o ponto chave do paradoxo que tentei explicar. E a definição do que significa esse “Ser” que somos obrigados a expor.

    Quando o mercado, através do profiling e da vigilância contínua, nos obriga a estar sempre visíveis e não nos dá espaço para viver à vida privada, ele não está nos obrigando a “sermos nós mesmos” na nossa essência existencial, que passa por nossas ambiguidades, medos e imperfeições. Pelo contrário: a exigência de transparência total força o indivíduo a performar constantemente. Como não há mais bastidores, o palco se torna a vida inteira. O algoritmo e o empregador não querem nossa autenticidade imprevisível; eles querem dados legíveis, previsibilidade e produtividade. Quando somos vigiados o tempo todo, nossa única defesa é fundir a nossa identidade com a “Persona” que também é a máscara.

    Eu concordo plenamente com você que a vigilância extirpou o nosso direito de refúgio, ao esquecimento e à zona cinza. Mas é exatamente essa superexposição que gera o cansaço. A exaustão não vem de escondermos quem somos, mas da obrigação exaustiva de transformar quem somos em um perfil métrico, otimizado e sem falhas, 24 horas por dia. O “fracasso” ocorre porque, sob o holofote constante, o humano morre e só sobra o perfil.

    Bem, ao menos, foi essa a minha leitura.