Me refiro ao primeiro turno especificamente. Acho que deveríamos poder escolher dois ou mais candidatos que achamos adequados para um cargo, e no segundo turno teríamos que escolher um deles.
Por exemplo, na situação atual as eleições presidenciais sempre vão eleger um presidente que seja do PT ou do PL porque esses são os únicos que os eleitores acreditam que tem uma chance de ganhar. Muuta gente deixa de votar no candidato que preferem porque consideram que isso é jogar o voto fora e deixar a oposição ganhar.
Se pudéssemos escolher um grupo de candidados que aprovaríamos pra um cargo teríamos eleições mais honestas, eu acho.
Acho que o que tás procurando é o Voto preferencial, tipo o Método de Condorcet. E tem vários lugares usando e a experiência tem sido muito positiva neles.
Existem muitas propostas de mudança do sistema eleitoral, mas não acho que o gargalo do nosso problema seja técnico, então uma solução técnica não mudaria muita coisa. Vejo o nosso principal problema como sendo cultural mesmo. Precisamos amadurecer mais nossa mentalidade em torno da democracia ainda
O que tinha que fazer era ranquear votos de presidente. 1ª opção, 2ª opção, 3ª opção. Aí vai iterando na lista de candidatos: remove o último colocado, realoca seus votos com as opções seguintes de seus eleitores e recalcula pra atualizar as colocações dos candidatos. E repete isso até só sobrar o vencedor. Os 2 turnos que temos já são uma versão simplificada disso, exceto pela parte de você ter que ir votar 2 vezes.
O ruim é que nessa última eleição já vimos gente se atrapalhando com ter que votar pra 2 senadores ao invés de 1, imagina se eles ainda fossem ranqueados. Fora o tempo que leva pra votar, no 1º turno foram 6 votos, se fizesse essa mudança do jeito que sugeri, seriam 8 (ou 10, se a proposta fosse aplicada aos governadores tambem), deixando o voto ainda mais demorado.
E sinceramente, eu não acho consertar o voto pra presidente tão prioritário assim. Mesmo que você não goste de como as pessoas votam, a população ainda tende a pensar mais em quem vota pra presidente do que em quem vota pros cargos do legislativo, então acho que se você quer melhorar as votações, é mais urgente aprimorar as do legislativo.
Tem vários métodos de eleição além dos que usamos (maioria simples para eleição municipal em cidades pequenas e maioria em 2 rounds). E tem bastante estudo em volta do tema.
Se quiser saber mais, tenho uma playlist do youtube sobre isso.
Se quiser um TLDR: existe um teorema matemático que diz que é impossível um sistema de eleição perfeitamente justo se há mais de duas opções/candidatos, procure por “impossibilidade de Arrow”. Assim sendo, você precisa definir quais características você mais valoriza em um sistema de eleição para, depois, escolher entre os métodos de eleição que atendem aos seus critérios.
Se você souber programar, eu tenho esse projeto que usei para entender como dois sistemas que acho interessantes funcionam na prática.
Ia aumentar os votos no PT e no PL (com a mesma pessoa votando nos dois) :P
A maior parte da galera que votou no Lula é a mesma galera que elegeu o congresso com 80% de direita, a pessoa vota mais no nome/partido que conhece ou foi recomendado por outros (pastor, influenciador patrocinado por bets…) do que realmente pensa em proposta, ideologia, etc etcAgora imagina o último primeiro turno, que o Bolsonaro teve mais votos, porém, com dois Bolsonaros concorrendo por partidos diferentes haha
Veja o que acontece quando é pra votar em dois senadores…Ia aumentar os votos no PT e no PL (com a mesma pessoa votando nos dois) :P
Esse é um detalhe muito importante. A narrativa da polarização (que muitas vezes é o que gera essas discussões de reformar eleição presidencial) prega que temos 2 candidatos péssimos que só ganham voto porque tem um candidato mais assustador do outro lado. Mas tem uma quantidade considerável de gente que não acha esses candidatos tão ruins assim e está disposta a votar em ambos.
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o nome disso é voto por aprovação.
esse sistema não inibe o voto útil. se em uma eleição é dado 4 candidatos, A, B, C e D, e, digamos, vc prefere A, aprova B, não gosta de C e rejeita D, a forma que vc vota vai depender do cenário de intenção de voto geral.
D tem maior chance de vencer? vc aprova A, B e C
A disputa está entre A e B? vc aprova apenas A
Não que seja um sistema ruim por isso, não existe sistema eleitoral perfeito, sem voto estratégico.
edit: acho que o maior problema desse sistema é que ele dá chance real de vitória a candidatos isentões ou totalmente desconhecidos.
Achei bem interessante. Na página da Wikipedia diz que esse sistema também é útil pra combater corrupção.
“Flavio mandou eu votar nele duas vezes”
Eh, não daria certo se puder dar mais de um voto no mesmo candidado kkkkk
Gosto de uma proposta de reforma política que teve há um tempo, de fazer a eleição dos legislativos em dois turnos. No primeiro, você vota no partido, e isso define os assentos de cada partido. No seguro não no candidato, para definir quem do partido que entra.
Acho que ainda tem uns detalhes incertos nesse sistema aí.
- Se no 1º turno você votou no partido A, no 2º turno você pode votar num candidato do partido B?
- Se a resposta da pergunta 1 for não, quem não compareceu no 1º turno ainda pode votar no 2º?
- Se a resposta da pergunta 1 for não, quer dizer que as urnas vão persistir uma memória de longo prazo de que partido você votou? Isso não é um risco ao sigilo do voto?
- Se a resposta da pergunta 1 for sim, isso não poderia gerar votos estratégicos do tipo: “1º turno voto no partido que eu quero, 2º turno voto no partido que eu não quero pra tentar sabotar os principais candidatos dele”?
O voto é secreto, então não existe como controlar quem votou em quem em qual turno. Esse tipo de estratégia até pode ocorrer, mas veja… Cada pessoa tem apenas um voto. Ela votar em alguém do partido adversário é também ela deixar de escolher quem ela quer no partido dela. No máximo, temos aí chumbo trocado.
Eu sei, e mesmo que seja uma tática aparentemente estúpida (como todo voto útil é pelo menos um pouco), não sabemos o quanto que os eleitores estariam dispostos a seguí-la e os efeitos colaterais dela. Será que ainda teríamos um monte de deputados que ninguém quis e só entraram por causa do partido?
Mas agora estou pensando também, o cenário de um deputado do partido X que quase ninguém do seu próprio partido quis eleger parece ser mais coisa do centrão fisiológico. Num partido mais ideológico, talvez nem autorizassem a candidatura desse deputado.







