Não é sobre uma neurodivergência específica como TEA e se refere à qualquer experiência no Ensino Superior não apenas como estudante, de professor, a funcionário e visitante.

A ideia para esse tópico surgiu porque atualmente me encontro na metade da minha graduação e percebi que talvez algumas das dificuldades pelas quais passo e das quais meus colegas não compartilham têm relação com essa característica minha.

  • Dæmon S.@catodon.rocks
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    27 days ago

    Apenas como disclaimer: oficialmente, não tenho diagnóstico nenhum, já que psiquiatras e psicólogxs nunca souberam lidar com meu mundo interior que envolve questões filosóficas e (mais recentemente) espirituais, mas sinto que sou neurodivergente, talvez AuDHD (Autista + TDAH) ou até uma condição de origem mais neurológica como Síndrome de Geschwind (embora não tenho convulsões, mas tenho auras e enxaquecas vez em quando). Até abandonei de encontrar respostas na psiquiatria e hoje faço psicanálise, porque é o que melhor lida com minhas questões e não tem preconceito com minhas “crenças atípicas” (tal como fui diagnosticado “esquizotípico” por uma das psiquiatras ao revelar minhas crenças luciferianas centradas na figura de Lilith).

    Tentei, por duas vezes, graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas em FATECs (Faculdade de Tecnologia, Centro Paula Souza) de duas cidades diferentes. Na primeira tranquei e posteriormente “jubilei” por conta de burnout que provocou TAG (crises de ansiedade) e posterior depressão; na segunda, após ter concluído todas as disciplinas e na já fase de elaborar o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), desisti por completo e adotei oficialmente a condição de “superior incompleto”.

    Essa minha desistência se deveu, principalmente, a uma dificuldade em acessar a pessoa orientadora, tendo eu tentado três pessoas orientadoras diferentes, nenhuma das quais atendia ou respondia às minhas tentativas de ser orientado. Por mim eu teria feito o TCC totalmente sozinho, sem orientador nem nada (até porque estou acostumado, desde o Ensino Fundamental, a fazer as coisas sozinho, até na maioria das vezes é o que prefiro), porém as regras acadêmicas são claras, eu precisava da presença dx orientadorx, sobretudo, pra autorizar o TCC e assinar como orientadorx e, ademais, o nome diz tudo: “orientadorx”, está ali para orientar, e quando não há um devido acesso a essa orientação, o TCC como dispositivo social-acadêmico está incompleto.

    Antes, no decorrer do curso, eu me dava relativamente bem com colegas e professorxs, mesmo sem manter amizades; meu foco era o curso, principalmente porquanto eu estava no ambiente do campus (na verdade sempre fui sistemático assim, tentando separar profissional do pessoal; dou-me bem em equipe e consigo colaborar com equipes de qualquer tamanho, bem como tecer apresentações em público daquilo que intelectualmente/tecnicamente domino; quando estou botando a mão na massa, porém, prefiro ter a autonomia e liberdade de fazer do meu jeito, usando o que der na telha para atingir o objetivo, enquanto simultaneamente averso à mesmice/rotina; com isso, acabou que eu tenho uma deficiência em “networking profissional” e também sequer sei o que é a tal da “amizade” ou “relações humanas”).

    Professores que eram conhecidamente “chatos” (como, por exemplo, um professor de Programação Linear, bem como outro de Estrutura de Dados) eram, pra mim, os melhores professores: eram tidos como chatos apenas porque não ficavam nem gostavam de papinho na sala de aula.

    No “recreio” (intervalo), eu gostava ou de ficar na sala de aula estudando (parte por causa de traumas com bullying na época do Ensino Fundamental durante os recreios), ou andando pelos cantos afastados do campus enquanto eu literalmente ficava falando sozinho (ou, na verdade, falando comigo mesmo). O primeiro campus era no meio de uma área rural, então eu gostava de ficar andando no meio do matagal nos limites do terreno do campus onde não tinha absolutamente ninguém. Às vezes eu juntava-me às rodas de conversa quando eu escutava que estavam falando sobre uma vindoura prova ou seminário, mas assim que começavam com papos mais mundanos (“moto/carro”, “namoro”, “futebol/esportes”, etc), eu simplesmente virava as costas e voltava às minhas andanças pelos cantos do campus.

    Talvez existam outros aspectos que esqueci de mencionar, mas basicamente essa foi minha relação com o Ensino Superior. Tenho uma carreira de praticamente dez anos em T.I. como programador/DevOps, mas hoje, desempregado e vendo os rumos preocupantes da tecnologia (a “merdificação” das coisas, como bem definido por Cory Doctorow) e desiludido com programação (ainda programo, vez em quando, mas para fins pessoais, de hobby, sem ter que atender uma “demanda”), onde diploma não é mais garantidor de carreira e ser profissional de TI hoje em dia virou ser tutorx de Claude/ChatGPT, não sei nem mais o que fazer da minha existência biológica a não ser criar artes esotéricas como venho criando (porém não penso nem quero lucrar em cima das minhas expressões artísticas, e na verdade tenho abominado cada vez mais o capitalismo e essa dependência de dinheiro para uma sobrevivência biológica que sequer consenti). Parafraseando um meme relativamente popular entre GenZ/millennials, meu plano de aposentadoria é o cemitério rs.

    !neurodivergent@bolha.forum

    • Noah LorenOP
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      24 days ago

      Cara, sinto muito. É uma porcaria quando você está tentando apenas cuidar da sua saúde e o profissional ao invés de te ajudar tenta praticar ou proselitismo das próprias crenças ou intolerância com relação às suas crenças e posições. Mas acho que você conseguiu se tornar um ser humano incrível do qual com certeza o seu eu do passado sentiria muito orgulho. Obrigado por partilhar seu relato.