Spoilers

Eu tinha zerado o jogo faz uns 15 anos, mas tendo também jogado pingado desde então, lembrava bem de ser um bom jogo. Mas queria já tem um tempo rejogar, tanto para relembrar a história toda, como para conseguir todas as conquistas (as ilustrações do Sky Pirate’s Den) e fazer o desafio de powerlevelling.

Começando no começo do ano passado, e tendo que parar várias vezes porque a vida acontece, consegui enfim concluir o jogo nessas condições ontem, faltando apenas ler um pouco que falta da lore do bestiário porque aquilo é um livro de tão longo que é.

Mas uma coisa que não lembrava, ou mesmo que talvez não tivesse percebido antes, é como o jogo usa de microdetalhes para passar o enredo.

Percebi primeiro quando o Juiz Ghis capturou os protagonistas imediatamente após os eventos do Túmulo de Raithwall. Durante o diálogo, o Ghis propõe que jurem lealdade a Arcades, assim podendo deixar de serem procurados e a Ashe, legítima herdeira de Dalmasca, podendo restaurar o país, então controlado por Arcades. Um dos protagonista, Balthier, interrompe e pergunta algo na linha de “como um certo cão fez ao Vayne?”, resultando num discreto espasmo no olho do Ghis.

No jogo todo detalhes assim aparecem, com o jogo num tom quase teatral mas com os personagens falando uns pros outros, e não pro jogador, o que talvez justifique o uso. Ou também, já ouvi falar que o time que fez o FFXII ficava só aumentando o escopo do jogo durante o desenvolvimento, então talvez fossem só perfeccionistas mesmo.

Mas num caso específico desses microdetalhes, e que ao meu ver diz muito sobre o uso destes, avançando umas 160h de jogo e alguns meses na vida real e pouco depois de ter zerado o jogo, gravo um vídeo para comentar algo para um amigo, o vídeo mostrando o diálogo logo antes do primeiro chefe da última dungeon:
https://peertube.wtf/w/uh3wtD17yXZdByeFyCncZU
(por favor ignorem ser a versão de PS2; é o meu xodó e queria zerar primeiro e.e")

Mas tendo o hábito de rever tudo que mando, várias vezes (ansioso? imagina…), comecei a perceber um monte de detalhes não falados que mostram muito mais da história do que o que é dialogado.

O de armadura, Gabranth, e o loiro de roupas vermelhas, Basch, são irmãos gêmeos, que além de estarem em lados opostos numa guerra, estão também em uma guerra pessoal um contra o outro. Disso se dá a discussão dos dois na cena.

Mas logo no começo, antes de todos se virarem, o Basch aparenta já ter percebido que alguém, e quem, se aproximava, dada a leve levantada da cabeça.

Ao longo da discussão entre os dois, também observei bastante o uso de técnicas de guiar o foco, por exemplo a câmera mover para onde a pessoa tem que focar no próximo corte. Ou também, nisso de guiar o foco, entre dois cortes quaisquer, frequentemente se o foco do primeiro corte estiver no centro da imagem por exemplo, o foco do próximo corte está na mesma posição, ou só levemente pro lado, ao invés de ser colocado abruptamente em outra posição da tela.

E durante o diálogo, quando o Basch fala que ainda havia alguém a quem proteger, e que conseguiu de fato proteger ela, “ela”, a Ashe, e que está à um pouco fora de foco na cena atrás e pro lado do Basch, tensiona um pouco ao perceber que virou o tópico, mas logo em seguida relaxa.

Inclusive uma coisa que percebi enquanto escrevo, já ouvi falar sobre manter quem confia à sua direita, e se de fato for algo que se faz, talvez seja coincidência, mas é onde o Basch está em relação à Ashe.

Outra coisa, quando os personagens se viram para ver quem se aproximava, cada um se vira de um jeito e com velocidade diferentes.

A Fran, a moça coelho, é a que se vira mais rápido, provavelmente por originalmente ser uma caçadora, requerendo reflexos rápidos.

Balthier, o bem do fundo, se vira rápido, ainda que não tanto quanto a Fran, e provavelmente porque por muitos anos vem sendo fugitivo, como desertor de Arcades, pirata, “raptor” da Ashe, guarda-costas dela, etc.

A Ashe, provavelmente por ser da realeza, se vira um pouco mais devagar, de forma mais discreta, mas ainda rápido possivelmente por também ser fugitiva por anos.

Depois vem o Vaan, que nessa altura do jogo devem ter se passado meses no máximo que ele se envolveu na crescente que culminou na atual guerra, dificilmente, creio eu, tendo tempo de enraizar maneirismos de sobrevivência. Daí por isso creio que ele se virou tão devagar e desajeitado.

A Penelo é a que demora a se virar mais. Tendo jogado Revenant Wings, poderia comentar em tom de piada de que é porque ela gosta do Vaan e estava toda boba por estar perto dele. Mas num ponto mais sóbrio, as vezes ela estava ajudando o Vaan a ativar o elevador e estava mais concentrada do que ele. E como ela no Revenant Wings é representada como uma healer, há de presumir que ela tem bem menos experiência de combate do que o próprio Vaan.

Basch não coloco nessa contagem porque foi o primeiro a perceber e provavelmente, conhecendo seu irmão, não viu necessidade de se virar rápido.

Tanto para dissecar numa cena que não dá 2 minutos. Adoro ficar analisando situações cheias de detalhes pequenos assim. e.e"

E como ainda quero zerar ambas as versões Zodíacas, o IZJS e The Zodiac Age, também vou ver de prestar atenção nos demais diálogos, para ver quais detalhes ainda deixei passar.