aplicativo Discord para Android

Em uma medida controversa, a Discord anunciou hoje que restringirá todas as contas de usuários globalmente, a menos que os usuários verifiquem sua idade por meio de reconhecimento facial ou digitalização de identidade.

A abordagem de privacidade atualizada da Discord é “adolescente por padrão”, disse a empresa em um anúncio hoje. Isso significa que, a partir de março, todos os usuários do Discord terão suas contas parcialmente restritas à experiência que você teria se tivesse menos de 13 anos.

O Discord detalha as restrições da seguinte forma:

  • Filtros de conteúdo: os usuários do Discord precisarão ter sua idade confirmada como adultos para desbloquear conteúdo sensível ou desativar a configuração.
  • Espaços com restrição de idade – Somente usuários com idade comprovada como adultos poderão acessar canais, servidores e comandos de aplicativos com restrição de idade.
  • Caixa de entrada de solicitações de mensagens: mensagens diretas de pessoas que o usuário talvez não conheça são encaminhadas para uma caixa de entrada separada por padrão, e o acesso para modificar essa configuração é limitado a usuários adultos com idade comprovada.
  • Alertas de solicitações de amizade: as pessoas receberão avisos sobre solicitações de amizade de usuários que talvez não conheçam.
  • Restrições de palco: somente adultos com idade comprovada podem falar no palco dos servidores.

A única maneira de contornar isso seria verificar sua idade, o que, segundo o Discord, pode ser feito de duas maneiras. A primeira é “enviar um documento de identificação” aos fornecedores do Discord (ou seja, digitalizar sua identidade física) ou usar a “estimativa de idade facial”. O Discord afirma que o último processo ocorre totalmente no dispositivo, pois “as selfies em vídeo para estimativa de idade facial nunca saem do dispositivo do usuário”. Para digitalizações de identidade, o Discord afirma que os documentos “são excluídos rapidamente”.

“Mais opções” para verificação de idade aparentemente serão disponibilizadas posteriormente, mas por enquanto é isso.

Essa mudança começará com “uma implementação global gradual para usuários novos e existentes no início de março”.

Embora a verificação de idade esteja se tornando mais comum – o YouTube talvez seja um dos maiores exemplos –, a nova abordagem do Discord é certamente uma das implementações mais agressivas.

  • Dethronatus Sapiens sp.@calckey.world
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    ·
    18 hours ago

    @FirmDistribution@lemmy.world @tecnologia@lemmy.eco.br

    Embora eu não tenha mais conta no Discord há anos e, portanto, isso não me afete diretamente, o fenômeno dessa exigência mundial (e, por osmose, Brasil) de “CPF” pra participar de rede social me preocupa, sobretudo em um ponto bem específico.

    Veja como a exigência SEMPRE, vem atrelada a uma terminologia sorrateiramente genérica: “conteúdo sensível”, “conteúdo adulto”. Vai além do óbvio “pornografia”.

    E uma das coisas que pode ser classicada como “conteúdo sensível/adulto” é religião e espiritualidade. Que por si só são bem amplos, também. Exceto que, principalmente no Brasil, os cinco séculos de história já contam o que vai acabar acontecendo, e para explicar isso faço um link para duas notícias, dentre inúmeras do tipo:
    - https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2025/08/10/um-ano-apos-instalacao-de-estatua-templo-de-lucifer-segue-interditado-e-aguarda-decisao-judicial.ghtml
    - https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2025/11/18/pm-com-metralhadora-entra-em-escola-infantil-em-sp-apos-pai-reclamar-de-desenhos-de-matriz-africana-afirma-funcionaria.ghtml

    Algumas pessoas podem dizer “criança tem que manter distância de religião” e, não estão de todo errado: fiz catequese sem meu consentimento, perdi parte da infância indo em missa…

    Mas minha questão aqui vai além de “crianças tendo contato prematuro com religião”.

    É que, religiões não-cristãs (exemplo: Quimbanda, Wicca, Thelema, entre tantas), já sofrem com uma falta de representatividade gigantesca, principalmente no Brasil, onde o cristianismo historicamente influencia até mesmo leis (crucifixo nos plenários!)… Temos diversidade enorme de crença, mas também uma intolerância enorme por parte, principalmente, do cristianismo para com Religiões Afro-Brasileiras (Umbanda, Candomblé, além da Quimbanda que já mencionei) e, a partir do momento que precisar-se atrelar CPF e/ou reconhecimento facial à post nas redes dedicado a, por exemplo, Tranca Rua ou Rosa Caveira, cristãos fundamentalistas vão ter mais uma ferramenta à disposição da intolerância. E não falo só de violência física não: empregadores cristãos fundamentalistas demitindo (ou evitando contratar) por post não-cristão em rede social, por exemplo… Ah, é “verificação anônima e temporária de identidade” por parte de rede social? Em tempos de Google Ads e Meta/Facebook Ads, onde tracking = receita? Aham, sei!

    Quando um templo de Quimbanda ainda permanece proibido de contar com a estátua de Baphomet nos rituais, enquanto aquele cruficixo, que adorna as paredes dos Plenários dos Três Poderes, é “sagrado” e “inquestionável”, me pergunto o quanto o Brasil está preparado para “adotar a moda mundial do momento” e exigir CPF em rede social sem que a intolerância contra praticantes de religiões não-cristãs acabasse ainda mais institucionalizada.

    Por essas e tantas outras, tenho é tentado me afastar de Internet no geral (não é fácil, tudo exige internet e facial, até Gov.br).