Sem unidade ou representação oficial, “bancada das bets” beneficia empresas do ramo usando bandeiras econômica e liberal
Em meio à guerra narrativa para a definição de “grupo terrorista” no projeto de lei conhecido como “PL Antifacção”, em 18 de novembro de 2025, dois discursos chamaram a atenção numa reunião horas antes da aprovação do texto. Naquele mesmo dia, enquanto o projeto mobilizava a atenção da imprensa, os deputados federais Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), líderes de seus partidos na Câmara, levantavam coro contra outro projeto, o PL 5.473/25, de autoria de Renan Calheiros (MDB-AL), que propunha aumentar impostos sobre casas de apostas digitais, fintechs e bancos – o texto só foi aprovado duas semanas depois, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e, até o momento, não entrou na pauta de votação do plenário.
Não foi a primeira vez que Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões estiveram juntos à frente de acordos para impedir que casas de apostas pagassem mais impostos. Em fevereiro deste ano, a dupla também articulou para retirar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a Cide-bets, do relatório do PL Antifacção. A relatoria estava a cargo de Guilherme Derrite (PP-SP), que havia se licenciado da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, apenas para assumir o papel no projeto. A contribuição de 15% foi retirada do texto final, num placar simbólico após acordo entre os partidos, preservando as empresas e jogos online e deixando de arrecadar estimados R$ 30 bilhões por ano para a segurança pública.


